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O PIB do Brasil no terceiro trimestre teve queda de 0,8% (Reinaldo Canato/VEJA/VEJA)
A recessão brasileira aprofundou-se no terceiro trimestre deste ano, com destaque para a forte queda dos investimentos e consumo, quadro que dificulta ainda mais a recuperação da atividade esperada para 2017 em meio ao aumento do desemprego e queda da confiança.

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil encolheu 0,8% no trimestre passado sobre os três meses anteriores, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira, marcando o sétimo trimestre seguido de contração e com a maior retração no ano nesta base de comparação.

Sobre o terceiro trimestre de 2015, o PIB despencou 2,9%. “Os números que já saíram no final deste ano não alimentam muito otimismo, a confiança dá sinais de que pode cair e reflete certa decepção em relação à demora da economia de dar sinais de retomada”, afirmou o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa. “Não me surpreenderia se voltasse a mostrar quadro de maior deterioração”, acrescentou ele.

A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), uma medida de investimento, voltou a despencar no trimestre passado, após ter subido no segundo trimestre pela primeira vez depois de recuar por 10 vezes consecutivas. Segundo o IBGE, a queda entre julho e setembro foi de 3,1%, a mais acentuada desde o último trimestre de 2015 (-4,4%).

O consumo das famílias caiu 0,6% no terceiro trimestre sobre o anterior, em meio à dificuldade das pessoas em reduzirem suas dívidas com juros e desemprego elevados e também marcando o sétimo trimestre de queda seguido.

Os serviços, por sua vez, recuaram 0,6% no período, também a sétima retração seguida.

Esse cenário tem abalado a confiança dos agentes econômicos, com destaque para a do consumidor que, neste mês, caiu pela primeira vez desde que o presidente Michel Temer assumiu a Presidência, em maio.

“Os dois setores que mais pesam sobre a economia, consumo e serviços, continuam mal. O que estamos vendo no Brasil são as empresas querendo reduzir dívida, e desalavancagem não rima com investimentos”, afirmou o economista-chefe do banco Safra, Carlos Kawall.

“A crise é de confiança, mas também de fundamentos, como o fiscal e a situação financeira das empresas. Mas acredito que estamos no caminho certo, com reformas e distensão monetária”, acrescentou ele, para quem o PIB deve cair 3,5% neste ano e crescer 0,5% em 2017, número este com viés de baixa.

O cenário de maior otimismo visto com a mudança de governo vem perdendo fôlego, com a crise econômica derrubando o PIB potencial do Brasil, o que deve deixar a recuperação esperada para 2017 mais lenta. Alguns economistas já colocaram um sinal de alerta para o risco de o país estar próximo de um terceiro ano seguido de recessão.

INDÚSTRIA

Segundo o IBGE, todos os indicadores do PIB recuaram no trimestre passado sobre o segundo trimestre, com destaque também para a queda de 1,3% da indústria, depois de ter subido 1,2% entre abril e junho.

“Indústria e investimento, que tinham puxado o PIB no segundo trimestre (para cima), agora puxaram a queda”, afirmou a economista do IBGE Rebeca Palis. “O investimento é muito influenciado por expectativas e pelo ambiente econômico”, acrescentou.

Segundo o IBGE, no trimestre passado, a indústria de transformação recuou 2,1% e a construção, 1,7%. Na outra ponta, houve crescimento de 3,8% na indústria extrativa mineral, puxada pela extração de petróleo e gás natural.

No setor externo, as exportações caíram 2,8%, enquanto que as importações recuaram 3,1% em relação ao segundo trimestre de 2016.



FONTE - VEJA (Com Reuters)

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