Services

0
O professor Cândido Moura (no centro) e a equipe de alunos responsáveis pelo satélite (Cândido Moura/Arquivo Pessoal/Reprodução)
Um satélite construído por alunos de uma escola público de São Paulo foi enviado ao espaço na última sexta-feira. O projeto, desenvolvido ao longo de seis anos, chegou ao ápice com o lançamento do satélite pela Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (Jaxa) do Centro Espacial Tanegashima, no Japão. O destino é a Estação Espacial Internacional (ISS), onde será colocado em órbita. É o primeiro satélite brasileiro produzido por estudantes da educação básica.

O satélite foi desenvolvido por um grupo de alunos da Escola Municipal Presidente Tancredo de Almeida Neves, de Ubatuba. A ideia para o desenvolvimento surgiu em 2010 com o professor de matemática Cândido Moura.

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que auxiliou na assistência técnica e nas aulas para os estudantes, pretende usar as informações captadas pelo satélite para analisar a formação de bolhas de plasma na ionosfera da Terra. Essas bolhas dificultam a comunicação por rádio, o funcionamento de radares e de localizadores por GPS.

Além do Inpe, a Agência Espacial Brasileira (AEB) também ajudou os participantes com aulas no programa Satélites Universitários e arcou com os custos dos testes e do voo do equipamento para estação espacial.

“Sou formado em física, mas dou aula de matemática. Na época, conversei com os colegas da escola e todos ficaram empolgados. Sabíamos que a ideia era inusitada, mas queríamos dar essa oportunidade para os alunos, de criar algo e não só reproduzir um conteúdo de sala de aula”, contou o professor Moura.

Segundo o professor, a primeira tentativa para desenvolver o satélite foi feita com um kit americano, mas o equipamento foi redesenhado por um pesquisador do Inpe. Moura disse que o satélite lançado em 9 de dezembro, batizado de Tancredo 1, foi totalmente produzido e construído no Brasil.

A iniciativa, segundo Moura, não envolveu apenas os seis estudantes, mas mais de 700 alunos da escola. “O projeto cresceu e é muito maior, a gente abre turmas todos os anos para dar aulas de eletrônica, mecânica e mais de cinquenta se inscrevem. Em três ou quatro meses, eles já conseguem produzir algo que funcione e ficam encantados”, afirmou o professor.

Além disso, os alunos que participaram da construção do satélite também viajaram para os Estados Unidos, onde conheceram a Nasa (agência espacial americana), e para o Japão, onde se apresentaram em um congresso aeroespacial.

“Foram muitas conquistas desde que comecei a participar, mas o mais importante foi ver o quanto eu gostava de ciências e matemática. Eu sempre tive interesse por essas disciplinas, mas nunca tinha tido a oportunidade de colocar em prática”, contou Nathalia da Costa, de 17 anos. A estudante tinha 11 anos quando começou a desenvolver o satélite e neste ano prestou vestibular para entrar no curso de engenharia aeroespacial.

Difusão

Walter Abrahão, tecnologista do Inpe, disse que o instituto viu no projeto uma oportunidade de difusão de conhecimento e de aproximação dos jovens com a ciência. “Para nós foi um aprendizado muito grande também, sempre auxiliamos e fazemos pesquisas com universitários. Mas, para esses alunos, tivemos que adaptar nosso conteúdo para uma linguagem deles”, contou ele.

Para Pedro Kaled, tecnologista da AEB, a missão dos estudantes já está totalmente concluída. “O maior sucesso desse projeto foi dar uma educação de mais qualidade e permitir que esses estudantes tivessem contato com a produção científica. Uma das missões mais nobres da agência é a difusão de conhecimento e conseguimos completar essa missão com esses estudantes”, completou Kaled.



FONTE - VEJA (Com Estadão Conteúdo)

Postar um comentário

Obrigado pelo seu comentário. Não publicamos neste blog comentários com palavras de baixo calão, denúncias levianas e troca de ofensas entre leitores.